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INFORME DO PORTO DE SÃO SEBASTIÃO |
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Desenvolvimento sustentável sim, radicalismo não |
9 de abril de 2008 - Editorial - Jornal Imprensa Livre
“Acreditamos que a região pode ser palco, não laboratório, de um grande
projeto de desenvolvimento sustentável”
Cesar Rodrigues
Por várias vezes neste espaço adotamos posições francamente em defesa do
meio ambiente do Litoral Norte.
Nesse ponto, não recuaremos um milímetro sequer, nem agora, nem daqui a mil
anos. Temos plena consciência, e procuramos passar isso para o maior número
de pessoas possível, do quanto a qualidade de vida ainda satisfatória de
nossa região é extremamente dependente da preservação dos nossos vários
ecossistemas. Abrimos e ampliamos o espaço para o debate franco e honesto
sobre o tema, principalmente quando no seu bojo estão pelo menos dois
grandes empreendimentos que podem dar uma nova e positiva guinada na
economia regional: a instalação da Unidade de Tratamento de Gás da
Petrobras, em Caraguatatuba e a ampliação do porto, em São Sebastião.
Somos avessos a radicalismos, seja ele de onde partir, de mega-empresários
ou de ONGs com inconfessáveis interesses econômicos nas questões em que
atuam.
A respeito da UTGC, nesta semana o Ibama liberou o licenciamento para a
instalação do trecho marítimo do empreendimento que promete livrar o país
quase que totalmente da dependência internacional do gás natural.
Alguns ambientalistas, com certeza, irão fazer nova pressão tentando brecar
um processo que nos parece irreversível. E quando colocamos o fato dessa
forma, não imaginamos nunca que a instalação da unidade produtora de
Mexilhão será devastadora para o ambiente marinho, ou que vai degradar
irremediavelmente o pouco que nos resta de Mata Atlântica na Serra do Mar.
Não é possível imaginar uma situação dessas não somente por conta da pressão
dos ambientalistas, mas, principalmente porque atualmente temos uma rigorosa
legislação de proteção ao meio ambiente, cuja obrigação da maior estatal
brasileira é cumpri-la à risca.
A Petrobras de 2008 em Caraguatatuba, não é aquela Petrobras que chegou a
São Sebastião tomando conta de metade do centro urbano da cidade, no início
dos anos 60. Meio século atrás não havia legislação ambiental. Hoje, nenhum
empreendimento de grande porte é executado sem o aval dos órgãos ambientais,
notadamente do Ibama. E o Ibama, até onde sabemos, está repleto de
ambientalistas tão preocupados quanto os seus colegas que estão fora do
governo.
Com relação ao porto sebastianense, a Cetesb já aprovou uma nova dragagem no
cais. Coisa pequena, de manutenção mesmo. Mas, em pouco tempo o cenário do
local poderá mudar.
Um novo e moderno porto está sendo projetado para São Sebastião. Ele vai
atender os mais variados segmentos e será explorado comercialmente
contemplando desde calados de três metros até 17 metros de profundidade.
Noutras palavras, haverá uma diversificação de atividades e o porto será
multifuncional. Poderá ter que, para isso, agregar a área contígua da baia
do Araçá. Mais uma vez os órgãos ambientais, no devido momento, serão
chamados a avalizar ou não o empreendimento. Impactos de fazer e de “não
fazer” serão mensurados.
Acreditamos que o bom senso sempre prevalecerá. Acreditamos que a região
pode ser palco, não laboratório, de um grande projeto de desenvolvimento
sustentável. Nossa região continua crescendo e, não podemos ser egoístas,
temos que dar condições para que esta e as futuras gerações de caiçaras
natos ou adotivos possam aqui continuar, obviamente, usufruindo do nosso
mais precioso bem que é o meio ambiente.
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