31 de março de 2009 - Valor Econômico - José Rodrigues
A constatação de que os recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para a área de transportes confronta-se com a desejada mudança da matriz do setor, com necessidade de reversão e maior estímulo à intermodalidade, está em debate no Banco Mundial, em Washington, com vistas à superação de dificuldades logísticas em tempos de crise econômica global.
"O Brasil ocupa a 61ª posição no LPI (sigla em inglês para o índice de desempenho logístico), com 2,75 pontos, ante os 4,19 pontos de Cingapura, a melhor pontuação, seguida pela Holanda, com 4,18 pontos", afirma Frederico Bussinger, presidente da Companhia Docas de São Sebastião (SP), convidado pelo Banco Mundial para o fórum.
Com o tema "Dos portos que temos à logística que necessitamos", Bussinger está convicto de que, para a redução dos custos logísticos no Brasil, há a necessidade de uma rediscussão que leve "a uma mudança profunda da atual matriz de transportes, direcionando-a para a multimodalidade".
Ainda como diretor do Departamento Hidroviário de São Paulo, o executivo tem identificado obstáculos para o encaminhamento de cargas do interior para os portos, pela falta de conexões intermodais.
Na análise do executivo, gargalos tributários, tempo para cada estágio de movimentação da carga e burocracia, entre outros fatores, levam à prática de "uma irracionalidade logística", com custos que se sobrepõem. Bussinger leva em conta o estudo feito por cinco técnicos do Banco Mundial junto a 150 países e mais de 800 especialistas consultados que montaram um ranking, baseado em sete questões, no qual o Brasil aparece em 61º lugar, antecedido pela Tunísia, com 2,76 pontos e seguido pela Guiné, com 2,71 pontos. Quanto mais próximo de cinco pontos, a logística é considerada melhor.
Segundo o Plano Nacional de Logística de Transportes (PNLT), baseado na matriz brasileira de 2007, o setor rodoviário respondia por 58% da carga transportada no país, o ferroviário por 25%, o aquaviário por 12,5% e o dutoviário, 4%. As metas propostas para 2025 visam alta redução do setor rodoviário, para 33% da carga transportada, aumento para 32% para o ferroviário e 29% para o aquaviário.
Ao comparar essa intenção com a distribuição de recursos do PAC, na visão de Bussinger há uma contradição. "Essa inversão da matriz não é contemplada com volumes de recursos. Por exemplo, o setor rodoviário fica com 60,5% dos investimentos de 2007 a 2010, algo como R$ 33,4 bilhões; o ferroviário com 14,5%, equivalentes a R$ 14,3 bilhões e o aquaviário, 19,2% (R$ 19,2 bilhões)", afirma Bussinger.
O fórum "Transporte 2009 - Forças invisíveis e impactos visíveis", do Banco Mundial, deve ser encerrado amanhã.
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