O porto de São Sebastião é administrado pela Companhia Docas de São Sebastião (CDSS), vinculada à Secretaria de Estado dos Transportes de São Paulo. A CDSS exerce também a função de Autoridade Portuária. Está na área considerada a terceira melhor região portuária do mundo.
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      INFORME DO PORTO DE SÃO SEBASTIÃO


Editorial: Falta conteúdo
25 de agosto de 2009 - Imprensa Livre - Evandro Ribeiro

Costão de Ilhabela - Clique para ampliar - Foto Leandro Amaral “Barraco na serra do mar pode, contêiner e emprego não?”



O embate entre a ampliação ou não do Porto de São Sebastião já tomou ares que beiram ao ridículo, levado ao fato da total falta de conceito, estudo e pesquisa sobre a questão, que acabou ficando remetida às paixões e lobby ambientalistas ou daqueles que vêem no Litoral Norte apenas o quintal de casa; a extensão tranqüila do lar que gostariam de ter em São Paulo, mas sem abrir mão do desenvolvimento da capital e sem a menor preocupação com as condições de vida das pessoas que por aqui vivem diariamente.

Sob o título Ilhabela vai ter vista para paredão de navio, o jornal Folha de São Paulo do último domingo retrata o tema com a visão de que Ilhabela e São Sebastião correm o risco de deixarem de ser o paraíso turístico que são hoje. A foto estampa um navio passando pelo canal de Santos cheio de contêiner. É inaceitável que o embate tenha chegado ao nível de se preocupar com o horizonte que a população de Ilhabela (na grande maioria veranistas ricos paulistanos) vai ter de São Sebastião.

A questão leva a entender que então hoje as pessoas que fazem esse questionamento estão então mais preocupadas em não ter a vista de navios do que com a falta de emprego e o desenvolvimento não só da região, como do País, que um bom planejamento do porto podem trazer. Esses mesmos que estão agora preocupados com a vista de navios, mas nunca se manifestaram assim contra os barracos no complexo Topolândia, para onde eles também têm visão. Barraco na serra do mar pode, contêiner e emprego não? Veja em que estágio absurdo chegou o tema e quão grande é a falta de conteúdo na discussão.

A decisão deveria ser tomada em torno de estudos de impactos ambientais, criação de empregos, sistemas de compensações, resultados fiscais, rotas viárias e outras fundamentais, mas que não envolvam paixões desprovidas e interesses pessoais. Não é novidade para ninguém e muito menos inegável a extraordinária vocação turística de nossa região. Mas daí a dizer que vamos deixar de ter essa vocação por causa do porto, é forçar um fato inexistente e amedontrar aqueles que dependem do tema para a sobrevivência.

É fundamental considerar como se dá o turismo em Ilhabela e São Sebastião. Em momento algum os turistas vão deixar de vir para Ilhabela porque vão ter que avistar navios no canal, nesse sentido, certamente os pedágios que o governo estadual quer criar são muito mais nocivos, pois vão onerar em muito diretamente o bolso do turista, seja por qual estrada ele vier. Em segundo plano, todos sabemos que o turista que vem para São Sebastião não está nem um pouco interessado no Centro da cidade e sim nas belas praias oferecidas na Costa Sul, prova disso é que grande parte nem vem para o Centro durante o dia, apenas à noite para os shows oferecidos e para comer. O Centro de São Sebastião é tão desconhecido para o morador de fora que muitos acham que São Sebastião e Maresias são cidades diferentes, isso é fato não é paixão. O Centro é visitado por conseqüência das praias da Costa Sul, no demais, mais serve aos moradores que por aqui estão.

Depois da Dersa de São Sebastião ceder em favor do já dilacerado Mangue do Araçá, agora a classe dos biodesagradáveis vem a público afirma que a ‘possível’ falta de luz e o som podem afetar a biodiversidade do mangue, mas não apresentaram um estudo sequer sobre isso, ficando tudo na oratória impulsionada pelas paixões ambientalistas desproporcionais à realidade de nossa região. São Sebastião tem vocação turística, mas também não pode abrir mão da vocação que seu canal oferece para o desenvolvimento portuário.

A cidade pode ganhar muito com isso, pode ganhar empregos, riqueza e oferecer uma vida melhor aos seus moradores, não apenas a quem vem em alguns finais de semana. É necessário entender que o turismo é fundamental, mas a decisão não pode ficar na mão dos ricos de São Paulo, que decidem o que querem por aqui, que vem para cá nos finais de semana de Sol, mas não abrem mão de morar na capital.

Esse discurso de preservação a qualquer custo, sem estudo de impacto, sem ceder, movido por paixões é puramente demagogia de uma parcela da população mais preocupada em receber com tapete vermelho os ricos sem se preocupar com o morador local, que vive de temporada em temperada mendigando as migalhas paulistanas. Está na hora de deixar as paixões de lado e agir com maturidade, pois é certo que os malefícios não são tão grandes como querem alguns transparecer e os benefícios não tão pequenos como os mesmo apontam. O porto é inevitável e sobretudo necessário.


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